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Música

ogoin e Linguini resgatam nostalgia dos anos 2000 ao lado de Mylena Drague em “9090 (Te Ligam)”

Redação SP
Por Redação SP
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ogoin e Linguini resgatam nostalgia dos anos 2000 ao lado de Mylena Drague em “9090 (Te Ligam)”

“João, te ligam. João, atende”. O bordão associado aos antigos serviços de telefonia que marcaram os anos 2000 ganha uma nova história em “9090 (Te Ligam)”, colaboração entre ogoin, Linguini e Mylena Drague. Fruto do encontro entre a dupla de Belo Horizonte e a rapper de São Paulo, o single é o primeiro lançamento de uma série de faixas que irão compor um projeto colaborativo entre os artistas. A música parte de referências da cultura pop brasileira da época para falar, com humor sobre encontros, relações e as diferentes possibilidades que podem surgir quando alguém está do outro lado da linha. O single chega às plataformas de áudio nesta sexta-feira (11) e vem acompanhado de um videoclipe oficial. 

Musicalmente, “9090 (Te Ligam)” transforma esse imaginário dos anos 2000 em um beat produzido por Linguini, que combina Miami bass, grime e electro, incorporando elementos de pop à faixa. Para Linguini, o ponto de partida surgiu ao pensar na  expectativa que existe antes de atender uma ligação. “A ideia central da música foi abordar várias perspectivas que existem quando o seu telefone toca. Você não sabe o assunto até atender: pode ser algo muito maior do que imaginava, pode ser um silêncio, um trote, ou alguém próximo trazendo uma notícia boa ou ruim. A gente junta essa nostalgia com a atualidade, falando também de mensagem, WhatsApp e outras formas de comunicação”, explica. 

O convite para a colaboração partiu de Linguini, que conheceu o trabalho de Mylena pelas redes sociais após o lançamento de “Maratona”. O timing não poderia ser mais certeiro: quando recebeu o beat, Mylena estava vivendo o Carnaval em São Paulo, período em que compartilhou seu número com novas pessoas e experimentou, como define, um momento de liberdade e abertura para novas experiências.

“Eu estava vivendo o Carnaval quando recebi o convite, experimentando a minha liberdade sexual, a minha liberdade total, que é algo que eu acho que o Carnaval representa. Quando ele me mandou o beat e explicou que seria uma música em que cada um entraria como se estivesse falando em uma ligação, eu já tinha o verso na ponta da língua. Escrevi em cinco minutos, mandei para ele e ele adorou. Fiquei muito feliz com o convite, porque já acompanhava o som dos meninos. Foi uma grata surpresa quando eles me chamaram para esse projeto.”, conta Mylena.

Para ogoin, a colaboração também revela afinidades que ultrapassam a música. “Esse encontro abre muitas possibilidades, porque reúne dois projetos que têm muito em comum, tanto na sonoridade e nas referências quanto na versatilidade para construir sons e nos temas que trabalhamos, que geralmente não estão no mainstream, pelo menos não da forma que a gente traz. Essa música também tem um quê de diversão e ironia muito legal, além de todo o aspecto nostálgico. De uma forma criativa, ela abre espaço para a gente falar sobre conexões, ligações e relações, tanto no meio profissional e pessoal quanto na carreira: a relação do artista com outras pessoas e, principalmente, consigo mesmo.”

A escolha de Mylena para a faixa também passou por uma brincadeira que está diretamente ligada ao conceito da música. Além da identificação de Linguini com o trabalho da artista, o próprio nome “Mylena” tinha a métrica que ele buscava para funcionar como um toque de celular.

Eu já gostava muito das coisas que ela fazia e achava muito diferente do que se via na cena, em questão de escrita, atitude e sonoridade. Mas também tinha uma brincadeira: o nome dela tem a métrica perfeita para o ringtone, para o toque de celular. Então, Mylena, João e Vinícius se juntaram e fizeram seus próprios toques de celular. Foi a primeira pessoa que a gente chamou pelo feat literalmente pelo nome”, conta Linguini.

O que começou como uma troca pela internet ganhou outra dimensão quando Mylena viajou a Belo Horizonte para encontrar ogoin, Linguini e a equipe que acompanha o projeto. O encontro aproximou dois modos diferentes de construir uma carreira independente e também colocou em contato cenas musicais de São Paulo e Belo Horizonte.

Enquanto Mylena desenvolve seu trabalho em São Paulo a partir de uma trajetória inicialmente bastante individual, ogoin e Linguini constroem seu projeto em uma dinâmica coletiva, ao lado de artistas e profissionais ligados ao audiovisual, ao cinema e à música em Belo Horizonte. Para Mylena, a colaboração também representa uma oportunidade de experimentar essa lógica de criação compartilhada.

“Eles são artistas que vivenciam muito a coletividade. Eu comecei a minha carreira fazendo as coisas de uma forma muito solitária. Então, além dessa conexão artística e musical, também acho que está sendo uma grande vivência para mim, para a minha música e para mim como pessoa, aprender a fazer as coisas em coletivo”, explica.